Tipo 7 teatro

Monólogo: O Viajante do Agora

(Leia em voz alta. Respire. Deixe a emoção atravessar o corpo.)

Antes de começar, eu preciso dizer uma coisa.
O que vou compartilhar aqui não é teoria.
Não é descrição de manual.
Não é rótulo.

É relato.

É a forma como eu vivi —
e ainda vivo —
ser o Tipo 7 por dentro.

Vou falar do brilho e da vertigem.
Da alegria genuína e da fuga disfarçada de liberdade.
Do prazer intenso de existir
e do medo igualmente intenso de parar.

Não para que me compreendam apenas,
mas para que, quem se reconhecer,
possa respirar comigo.

O que vocês vão ouvir
é a minha experiência encarnada:
no corpo, na emoção, no pensamento,
nos excessos, nos encantos
e nos vazios que aprendi a cobrir com luz.

Dito isso, posso começar.

Eu nasci com o olhar voltado para o horizonte.
Enquanto muitos perguntam:
“É seguro?”
eu sempre perguntei:

“E se for maravilhoso?”

Tenho fome de vida.
Um impulso natural para o movimento.
Uma recusa profunda a qualquer forma de prisão —
externa…
ou interna.

Lembro-me do riso antes da palavra.
Do corpo leve correndo pela casa,
como se o mundo fosse um parque sem grades,
um território aberto, sem aviso de perigo.

Mas também lembro —
com a mesma nitidez —
do instante em que algo faltou.

De repente, no meu peito,
um vazio.
Um precipício.
Uma vontade imensa de chorar
e uma pergunta muda:

E agora?

Em algum momento cedo demais,
a dor pareceu grande demais.
E pior do que a dor
foi a reação das pessoas, quando eu expressei ela.

Paguei caro demais.

O que me impactou foram muitas coisas —
Repreensão emocional,
um grito de "para",
uma decepção profunda,
rejeição, castigo...
uma "cara feia" demais para quem ainda estava aprendendo a sentir.

a dor aparecendo…
e ninguém sabendo ficar com ela.

Fiquei a acompanhando, todo dia ela lá me mortificando.
E o aprendizado foi claro, quase cruel:

“Sentir dor é perigoso.”

Quando a dor se expressa,
as pessoas se perturbam.
Dizem que você pesa o ambiente.
Que estraga o clima.
Que baixa o astral.

E, de algum modo,
a culpa volta para você.

Então nasce a crença central,
silenciosa, eficiente, salvadora:

“Preciso escapar do sofrimento.”

Não lembro de um abandono explícito.
Não houve despedida,
nem porta batendo.

Foi um silêncio.
Um vazio.
Uma ausência de presença.

Algo que não grita,
mas que corrói.

E essa ausência…
essa agonia discreta…
vive comigo até hoje.

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Eu aprendi cedo que a dor chega sem avisar.
Que o tédio dói.
Que ficar parado é perigoso.
E então fiz um pacto secreto com a vida:
nunca ficar tempo demais no mesmo lugar por dentro.

A voz interior direciona: "vai, vai " e eu vou, não paro nunca.

Minha ferida foi o medo de ficar preso ao vazio,
ao sofrimento sem saída,
à sensação de que, se eu parasse…
afundaria.


Minha paixão foi a gula —
não de comida,
mas de possibilidades.

Eu quis tudo.
Experiências, ideias, futuros, histórias.
Enchi a agenda para não ouvir o eco interno.
Colecionei sonhos como quem acende luzes numa casa escura.

Pensamentos recorrentes me guiavam:
“Depois melhora.”
“Isso passa.”
“Há algo mais interessante logo ali.”
"Sinto que meu futuro é glorioso"

Não era irresponsabilidade.
Era sobrevivência emocional.
Eu fugia da dor como quem foge de um incêndio —
correndo, sorrindo, inventando saídas.


Minha Relação com o Mundo e com a Vida muda constantemente

No mundo, eu sou viajante.
Mapa na mão, mochila leve, olhos famintos de novos rostos e paisagens.

Evito jaulas invisíveis: rotinas, compromissos profundos, conversas finais.
Prefiro portas abertas.
Janelas.
Pontes.

Tudo aberto, livre.

Minha imagem interna era um campo aberto ao amanhecer.
Mas havia um detalhe:
eu raramente fico tempo suficiente para ver o pôr do sol.


Na família, fui alegria.
O que anima.
O que alivia.
O que faz rir quando todos querem chorar.
E, de certo modo, continuo sendo.

Ofereço esperança,
soluções,
leveza.
Sou generoso no afeto,
na presença que levanta,
no gesto que abre janelas.

Mas tenho dificuldade de ficar
quando o clima pesa.
Quando a dor vira excesso,
quando há loucura,
quando o sofrimento se expressa de forma caótica,
sem bordas, sem chão.

Quando a dor se repete.
Quando não há saída rápida.
Quando tudo parece pedir apenas permanência.

Muitos pensaram que eu não me importava.
Não sabiam que, por dentro,
eu não estava ausente —
eu só não sabia
como ficar
sem desaparecer.


No amor, eu chego como vento quente.
Encanto, presença, planos.

Trago riso, movimento, futuro.
Abro horizontes, faço a vida respirar.
Celebro os encontros como quem celebra milagres cotidianos.
Comigo, tudo parece possível.
E por um tempo… é.

Eu dou intensidade.
Não calculo.
Entrego-me inteiro no instante.

Mas tremo quando o amor pede permanência
na dor,
na chatice,
no baixo astral,
no silêncio mal resolvido.

Tremo quando exige atravessar o inverno juntos
sem janelas,
sem cobertor,
sem humor,
sem luz.

Quando os propósitos não coincidem.
Quando falta diálogo.
Quando o cuidado deixa de ser mútuo
e a relação já não permite descansar —
apenas sustentar.

Meu medo secreto
não é amar.

É ser engolido pela tristeza do outro
e perder meu céu interno,
meu eixo de alegria,
meu chão de possibilidades.

Por isso encanto.
Por isso prometo.
Por isso faço sonhar.

Não por mentira,
mas porque acredito.

Acredito que, se formos leves o suficiente,
a dor não nos alcança.

“Vem comigo”, digo sem palavras,
“e a vida será mais viva.”

E é.
Até deixar de ser.

Porque quando o amor pede raízes na sombra,
algo em mim quer correr.

Não é desprezo.
É pavor de prisão emocional.

O que eu preciso no vínculo
não é fuga —
é espaço.

Espaço para respirar.
Para ser alegre sem culpa.
Para existir sem carregar o mundo do outro nas costas.

Alguém que caminhe comigo
sem me idealizar
nem me aprisionar.

Que me veja.
Que me respeite.
Que confie que sou leal por natureza
quando posso ser inteiro —
e não apenas entretenimento.

Mas há um lugar em mim
que ninguém vai ocupar.

Um território silencioso,
sem promessa,
sem plateia,
sem futuro imaginado.

Ali estou só eu,
a verdade,
e a liberdade de me encarar
sem precisar ir embora.

Talvez seja ali
que o Sedutor envelhece.
E o Amoroso começa a ficar.


Escolho amigos que me expandem.

Que pensam, criam, sonham.

Em grupo, sou catalisador.
Lanço ideias, crio movimento, conecto pessoas.

No conflito, costumo fugir primeiro —
mas hoje sei voltar e enfrentar o que me cabe.
Aprendi que pertencimento não é só alegria compartilhada,
é presença sustentada.


Meu medo central é a dor sem saída.

O sofrimento estagnado.
O tempo que parece prisão.

Minha sombra é a superficialidade defensiva,
a dispersão,
o não terminar.

Hoje reconheço isso sem vergonha.
Foi assim que sobrevivi.
Agora escolho crescer.


Meu prazer sempre foi movimento.

Mas aprendi outro:
o prazer de ficar em paz, curtindo a minha energia, junto a quem amo.

Quando estou em segurança, respiro fundo.
Sinto o corpo.
Descanso sem culpa, na Paz de Deus.

Antes, o prazer era anestesia.
Hoje é presença carinhosa.


Meu dom é a visão ampla.

A capacidade de enxergar possibilidades onde há muros.

Sou criativo, inspirador, estrategista.
Na profissão, conecto ideias, corações, pessoas e futuros.

Meu entusiasmo nasce da dor transmutada —
não da negação dela.

Minha habilidade é colaborar com a felicidade e o bem-estar das pessoas oferecendo pistas de voos para novas paisagens.


A cura começou quando parei de correr.

Quando sentei ao lado da dor
sem querer consertá-la.

Reconheci que o vazio não me destrói.
Ele me ensina.

Hoje fico.
Sinto.
Atravesso.

E descubro que a alegria verdadeira
não foge da tristeza —
dança com ela.


Percebo em mim os Nove Tipos:

a disciplina do Um,
o cuidado do Dois,
a eficiência do Três,
a profundidade do Quatro,
o silêncio do Cinco,
a lealdade do Seis,
a força do Oito,
a paz do Nove.

Tudo junto ao impulso vital do Sete,

Hoje, nenhum me aprisiona.
Todos me servem.


Sou Tipo Sete —
mas não sou apenas um tipo.

Sou viajante que aprendeu a habitar.
Sou alegria que aprendeu a ficar.
Sou presença em movimento consciente,
sem pressa de escapar,
sem medo de permanecer.

Hoje caminho não para fugir da dor,
mas para servir à vida
no tempo dos milagres simples:
estar,
escutar,
agir com sentido.

Aprendo com a Natureza,
com seus ciclos, pausas e renascimentos.
Acolho a sabedoria dos antepassados
e o conhecimento vivo dos que caminham agora.

Mas não me prendo a nenhum passado,
nem a nenhuma promessa de futuro.

Processo o legado,
integro o aprendizado,
e sigo livre.

Livre para estar presente
mesmo em meio aos afazeres do mundo.
Livre para servir sem me perder.
Livre para amar sem fugir.

Com os olhos abertos,
os pés na Terra
e o coração disponível.

Feliz de estar aqui,
junto a vocês,
descrevendo como vivo o Tipo Sete, fico a disposição.

(silêncio)

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