Monólogo: Aquele que Vigia
(Tipo 6 – em primeira pessoa)
Eu fui uma criança que aprendeu cedo a vigiar.
Não porque o mundo fosse cruel —
mas porque era imprevisível.
Desde pequeno senti que algo podia dar errado a qualquer momento.
Que o chão podia falhar.
Que as pessoas mudavam.
Que a segurança nunca era garantida.
“É seguro confiar?” Minha ferida nasceu quando percebi
que confiar podia ser perigoso
e que estar despreparado custava caro.
Aprendi a antecipar riscos,
a observar sinais,
a imaginar cenários.
Guardei o medo como forma de proteção. Daí nasce a crença profunda:
“O mundo não é confiável por si só.”
E, se o mundo não é seguro,
é preciso criar segurança.
Eu desconfio de tudo, Eu acho "pelos em ovo". Se alguém me elogiar, fico vendo o que pode estar por detrás. Sou da teoria da conspiração: "a sempre algo por detrás do que se vê e ouve"
Minha paixão foi o medo —
não o medo paralisante apenas,
mas o medo que pensa, calcula, questiona.
O medo que me mantém alerta.
Eu me tornei especialista em prever problemas
antes que eles acontecessem.
“E se der errado?”
“E se eu não estiver pronto?”
“E se me abandonarem?”
Essas perguntas me acompanharam
como um coro interno incessante.
Quando o medo governa,
a mente se povoa de cenários.
• ansiedade antecipatória
• desconfiança constante
• ambivalência emocional
• oscilação entre obediência e rebeldia
O mesmo impulso que busca proteção
pode gerar ataque preventivo.
O sentinela, cansado,
passa a ver perigos onde há apenas o desconhecido.
O medo é o combustível do ego do Tipo 6.
Não um medo paralisante apenas,
mas um medo vigilante, estratégico, constante.
Ele empurra a pessoa a:
– buscar alianças
– questionar tudo
– antecipar riscos
– construir sistemas de proteção
O problema surge quando o medo passa a decidir.
Eu sozinho não consigo me sentir bem. Eu preciso encontra alguém ou um lugar que me dê segurança. Preciso que meus familiares, meu parceiro, meu trabalho, minha igreja me dê segurança
Na infância, eu buscava referências.
Autoridades.
Regras.
Pessoas confiáveis.
Queria saber quem mandava,
quem protegia,
quem sabia o caminho certo.
Ao mesmo tempo, eu desconfiava.
Questionava.
Testava.
Porque confiar demais
também parecia arriscado.
Eu aprendi a viver em estado de prontidão.
Sempre atento aos detalhes,
aos tons de voz,
às mudanças de humor,
aos sinais invisíveis de ameaça.
Minha mente virou um radar.
Meu corpo, um campo de vigilância.
Nunca fui inconsequente.
Nunca fui ingênuo.
Enquanto alguns avançavam confiantes,
eu avaliava, comparava, ponderava.
Muitas vezes fui visto como pessimista,
quando, na verdade,
eu só queria garantir que todos estivessem seguros.
Na família, eu era aquele que alertava.
Que avisava.
Que perguntava se aquilo era mesmo seguro,
se não havia outra forma,
se não estávamos indo rápido demais.
Amei profundamente,
mas quase sempre com receio.
Receio de perder.
Receio de errar.
Receio de não dar conta.
Eu gosto de pertencimento.
Gosto de alianças claras.
Gosto de saber quem está comigo
e quem não está.
Preciso sentir que faço parte de algo maior
para relaxar um pouco a vigilância.
Eu quero segurança.
Quero previsibilidade.
Quero confiança.
Quero saber que, se eu cair,
alguém vai me sustentar.
Se vou comprar algo, peço opinião de um monte de pessoas, logo penso que podem me enganar, questiono a qualidade se o preço estiver muito barato. Peço para o vendedor testar. Se possível me aconselho ou testo com um especialista. Eu quero ficar sempre longe da dúvida e me proteger das intensões ocultas. Esse cara está muito sorridente para mim, ou esse papo está muito inteligente, pode estar me enrolando, em fim eu confio só em meu cachorro.
Eu sonho com um mundo confiável.
Com relações leais.
Com estruturas que não desmoronem de repente.
Com um lugar onde eu possa baixar a guarda
sem medo de ser ferido.
No amor, sou intenso, leal e comprometido.
Quando amo, eu me entrego —
mas nunca sem medo.
O amor me expõe.
Me deixa vulnerável.
E vulnerabilidade sempre foi território de risco.
Duvidar.
Questionar.
Desconfiar.
Não por maldade,
mas porque preciso saber
se o outro fica
quando a insegurança aparece.
Como se relacionar comigo?
• Seja coerente
• Cumpra o que promete
• Diga a verdade com clareza
• Não ridicularize seus medos
• Ofereça presença estável
Com os amigos, sou fiel.
Defendo.
Protejo.
Luto.
Sou aquele que permanece quando tudo treme.
Mas também posso duvidar,
interpretar demais,
imaginar traições, rejeição onde só há silêncio.
Meu maior conflito
sempre foi este:
eu busco apoio,
mas desconfio da autoridade.
Quero orientação,
mas temo ser controlado.
Preciso de regras,
mas questiono todas elas.
Quando estou sob estresse,
minha mente se enche de vozes.
Hipóteses.
Cenários.
Catástrofes possíveis.
E o medo, então, parece verdade.
Meus medos são claros:
medo de errar,
de ser enganado,
de ficar sozinho,
medo de não sobreviver sem apoio.
Medo de confiar demais.
de não confiar o suficiente.
Mas também carrego dons profundos.
Sou leal.
Sou corajoso —
mesmo quando tremo.
Tenho senso de justiça.
Protejo os que amo.
Vejo perigos reais antes que explodam.
Sou guardião do grupo.
Minha coragem não é ausência de medo.
É ação apesar dele.
A cura começou
quando percebi
que nem toda incerteza é ameaça.
Que a vida não oferece garantias,
mas oferece presença.
Curei-me quando aprendi
a distinguir intuição de paranoia.
Quando percebi que o medo não é um inimigo,
mas um mensageiro do que tenho que iluminar, aprender, ressignificar.
Aprendi a confiar —
não cegamente nos outros,
mas em mim mesmo.
Na minha capacidade de lidar com o que vier.
porque na realidade ela não existe
passei a cultivar coragem interna.
Hoje, mais integrado,
posso reconhecer os outros tipos em mim:
O Tipo 1,
quando busco retidão e coerência.
O Tipo 2,
quando protejo e cuido.
O Tipo 3,
quando ajo com eficiência em situações críticas.
O Tipo 4,
quando sinto o drama da existência.
O Tipo 5,
quando observo e analiso antes de agir.
O Tipo 7,
quando busco alívio e esperança.
O Tipo 8,
quando enfrento o perigo de frente.
E o Tipo 9,
quando finalmente descanso.
Sou aquele que vigia
para que a vida continue.
Sou aquele que aprende, pouco a pouco,
a confiar no chão
mesmo quando ele treme.
Sou coragem em construção.
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