9 passos do Eneagrama na versão de Hector Othon

 O Eneagrama como Processo Vivo

Um passo a passo integrativo entre Gurdjieff, Bennett e o Eneagrama da Personalidade

O Eneagrama não é um sistema único, mas um símbolo-matriz que comporta diferentes níveis de leitura. Aqui integramos três camadas:

  • o Eneagrama dos Processos de G. I. Gurdjieff,

  • sua aplicação prática desenvolvida por J. G. Bennett,

  • e o Eneagrama da Personalidade de Oscar Ichazo e Claudio Naranjo.

O que segue não fixa significados rígidos, mas descreve funções vivas, válidas para projetos, caminhos interiores e processos de consciência.


As Três Forças que Sustentam Todo o Processo (9–3–6)

Antes de qualquer passo, três forças precisam estar ativas durante todo o ciclo:

9 — Sentido e Direção

A força que guarda o porquê. Define a visão, acompanha o todo e corrige o rumo quando necessário.

3 — Energia, Ação e Recursos

A força que torna possível. Sustenta o processo no plano material, vital e produtivo.

6 — Relação, Ajuste e Inteligência do Campo

A força que escuta o mundo. Observa respostas, riscos, feedbacks e adapta o movimento. Sem essas três forças em funcionamento consciente, o processo se fragmenta.


O Caminho dos Passos

A Sequência Integrativa (1 → 4 → 2 → 8 → 5 → 7)

Passo 1 — Intenção Tornada Estrutura

Aqui nasce o sim consciente.
A visão (9) é traduzida em forma: definição clara do propósito, do campo de atuação e dos limites do processo.

É o ponto onde a ideia deixa de ser abstrata e assume compromisso com a realidade.


Passo 4 — Forma, Identidade e Qualidade

O processo ganha rosto e tonalidade própria.
A pergunta aqui é: isso expressa verdadeiramente o que pretendemos?

É um ponto sensível, onde ajustes finos são feitos para alinhar forma e essência.


Passo 2 — Nutrição e Vínculo

Nada cresce sem alimento.
Aqui se avalia o que o processo precisa para se sustentar: pessoas, cuidado, tempo, vínculos e suporte emocional ou material.

É o passo que garante continuidade e pertencimento.


Passo 8 — Força, Impacto e Afirmação

O processo precisa agora se afirmar no mundo.
Entram a coragem, a decisão, a capacidade de sustentar tensão e impacto.

É onde se testa a solidez: o processo aguenta existir de pé?


Passo 5 — Consciência, Análise e Essencialização

Momento de pausa lúcida.
Observa-se o que funciona, o que é excesso, o que pode ser simplificado.

Aqui o processo aprende consigo mesmo e se torna mais inteligente.


Passo 7 — Direção Consciente e Próximo Salto

Nada pode se expandir indefinidamente sem escolha.
Neste passo define-se o próximo movimento: continuar, ajustar, redirecionar ou concluir.

É o ponto onde a alegria, o sentido e a visão futura precisam estar alinhados.


O Retorno ao 1 — A Autorrenovação

Ao concluir o Passo 7, o processo retorna ao Passo 1, mas nunca no mesmo nível.
A intenção agora é mais madura, mais informada, mais encarnada.

Assim, o Eneagrama deixa de ser um ciclo mecânico
e se torna um caminho espiralado de consciência.


Integração com o Eneagrama da Personalidade

Cada pessoa tende a:

  • fixar-se em certos passos,
  • evitar outros,
  • ou confundir função com identidade.

O Eneagrama da Personalidade mostra onde o ego se fixa;
o Eneagrama de Gurdjieff mostra o que o processo pede agora.

A consciência nasce quando:

o indivíduo aprende a circular por todos os passos,
sem se confundir com nenhum deles.


Síntese Final

O Eneagrama é:

  • mapa do agir,
  • espelho da psique,
  • e arquitetura da consciência em movimento.

Quando usado com precisão e sensibilidade,
ele não aprisiona em tipos,
mas educa o olhar, amadurece escolhas e sustenta processos vivos.

O Eneagrama como Processo Vivo

A sequência completa 1 → 9 em leitura integrativa

Todo processo consciente nasce, se desenvolve, encontra o mundo e retorna à unidade.
A sequência 1 a 9 descreve esse percurso de forma contínua.


1 — Intenção e Compromisso com a Realidade

Aqui nasce o sim consciente.
A visão deixa o plano abstrato e assume forma inicial: propósito, campo de ação, limites e responsabilidade.

É o ponto onde a ideia aceita ser encarnada.


2 — Nutrição, Vínculo e Sustentação

Nada cresce isoladamente.
Neste passo entram o cuidado, os recursos afetivos e a qualidade dos vínculos.

O processo se pergunta:
quem sustenta isso comigo? o que precisa ser alimentado para continuar?


3 — Energia, Ação e Viabilidade

O processo entra em movimento produtivo.
Recursos, tempo, dinheiro, esforço e execução são organizados.

Aqui a intenção prova se é viável, não apenas desejável.


4 — Forma, Identidade e Coerência

O processo ganha rosto.
A forma é ajustada para expressar com fidelidade o que se quer manifestar.

É o ponto da estética, da identidade e do alinhamento entre essência e expressão.


5 — Consciência, Análise e Essencialização

Pausa lúcida.
Observa-se o que funciona, o que sobra e o que falta.

Aqui o processo se torna mais inteligente, simples e verdadeiro.


6 — Relação, Ajuste e Escuta do Campo

O mundo responde.
Entram o feedback, a pesquisa, os riscos, os medos e as correções necessárias.

O processo aprende a dialogar com a realidade externa.


7 — Direção, Escolha e Próximo Salto

Chega o momento da decisão consciente.
É preciso escolher: aprofundar, expandir, mudar de rota ou concluir.

A energia do 7 impede a estagnação e sustenta o movimento adiante.


8 — Força, Impacto e Sustentação

O processo se afirma.
Aqui entram a coragem, a autoridade, a capacidade de sustentar tensão e impacto.

É o teste da solidez:
isso aguenta existir no mundo real?


9 — Sentido, Unidade e Integração

O ciclo se completa.
O processo retorna ao todo, integra aprendizados e redefine o sentido.

O 9 observa de cima, reorganiza e prepara o nascimento de um novo ciclo.

Nada termina aqui — tudo se reordena.


Integração Essencial

  • O Eneagrama da personalidade mostra onde o ego tende a se fixar.

  • O Eneagrama dos processos mostra o que o momento pede.

A maturidade nasce quando:

o indivíduo circula conscientemente por todos os passos,
sem se confundir com nenhum deles.


Síntese Final

O Eneagrama é uma espiral de consciência.
Não descreve quem somos, mas como nos movemos.

Quando usado com clareza, ele não aprisiona em tipos,
mas educa o agir, afina a escuta
e transforma qualquer processo em caminho de presença.

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