Tipo 2 e o Passo 2 do Eneagrama
Vínculo, doação e a arte de receber
A correspondência entre o Tipo 2 do mapa da personalidade do Eneagrama (Ichazo–Naranjo) e o Passo 2 dos processos cíclicos autorrenováveis descritos por Gurdjieff revela o ponto em que o processo sai da intenção e entra na relação.
O Passo 2 nos ciclos autorrenováveis
No Eneagrama de Gurdjieff, o 2º passo marca o momento em que a ideia inicial encontra o outro.
Aquilo que nasceu como intenção precisa agora vincular-se, ser nutrido, acolhido e sustentado.
No Passo 2:
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o processo pede cuidado,
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necessita de apoio e cooperação,
-
cresce através da troca,
-
e se desenvolve pela qualidade do vínculo.
Quando esse passo não é vivido conscientemente, o processo tende a:
-
tornar-se dependente,
-
perder autonomia,
-
ou buscar aprovação em excesso.
O Tipo 2 no mapa da personalidade
No Eneagrama de Ichazo–Naranjo, o Tipo 2 estrutura sua identidade em torno da doação e do amor oferecido.
Sua ferida central é:
“Sou amado quando sou necessário.”
Por isso, o Tipo 2:
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antecipa necessidades alheias,
-
oferece cuidado antes de ser solicitado,
-
tem dificuldade em pedir,
-
confunde amor com disponibilidade constante.
Assim como no Passo 2, tudo gira em torno do vínculo —
mas aqui, o dar substitui o receber.
A correspondência simbólica
A ponte entre ambos é direta:
🔹 O Passo 2 é o ponto do ciclo onde o crescimento depende da relação.
🔹 O Tipo 2 é a personalidade fixada nesse ponto relacional.
O que no processo é uma troca viva,
na personalidade torna-se uma estratégia de pertencimento.
O Tipo 2 aprendeu a manter o processo vivo oferecendo-se,
mas esqueceu que o vínculo também se nutre de reciprocidade.
Luz do arquétipo 2
Quando integrado, o Tipo 2 expressa a virtude do Passo 2:
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amor generoso e livre,
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empatia sem invasão,
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cuidado com limites,
-
capacidade de dar e receber.
Ele se torna um nutridor consciente do processo,
fortalecendo vínculos sem aprisioná-los.
Sombra do arquétipo 2
Quando fixado, surgem os desvios:
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dependência afetiva,
-
invasão sutil,
-
manipulação emocional,
-
ressentimento por não ser reconhecido.
O processo não amadurece —
fica preso à necessidade de aprovação.
A chave de autorrenovação
A transformação do Tipo 2 está inscrita no próprio ensinamento de Gurdjieff:
👉 introduzir o choque consciente do receber no ponto do dar.
Na prática:
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pedir ajuda sem culpa,
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reconhecer necessidades próprias,
-
permitir que o outro também cuide,
-
diferenciar amor de obrigação.
O Tipo 2 não foi feito para salvar o processo,
mas para nutri-lo em equilíbrio.
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