Informações sobre o funcionamento dos Eneagramas
Eneagrama de Gurdjieff
(processos cíclicos autorrenováveis)
No ensinamento de G. I. Gurdjieff, o Eneagrama não é um mapa de tipos psicológicos, mas um símbolo dinâmico dos processos da vida. Ele descreve como qualquer processo se desenvolve, se transforma, se interrompe ou se renova, segundo leis universais.
Baseia-se principalmente em duas leis:
-
Lei do Três (forças ativa, passiva e neutra)
-
Lei do Sete (processo em sete etapas, com intervalos e descontinuidades)
Nesse contexto, o Eneagrama representa ciclos autorrenováveis:
movimentos que só se completam quando recebem choques conscientes nos pontos críticos do percurso.
Sem esses choques, os processos tendem a:
- perder energia,
- desviar-se,
- ou estagnar.
Cada ponto do Eneagrama indica uma fase funcional do processo, não um tipo de pessoa.
Eneagrama de Ichazo – Naranjo
(mapa da personalidade)
Já o Eneagrama desenvolvido por Oscar Ichazo e aprofundado por Claudio Naranjo descreve um mapa da personalidade humana.
Aqui, os nove pontos representam estruturas psíquicas fixadas, organizadas em torno de:
- uma fixação (ideia central automática),
- uma paixão (emoção dominante),
- e uma estratégia de sobrevivência do ego.
Esse modelo mostra como a consciência se cristaliza em padrões repetitivos de percepção, emoção e comportamento, especialmente como resposta às feridas da infância e às dinâmicas de defesa.
Enquanto o Eneagrama de Gurdjieff fala de processos em movimento,
o de Ichazo–Naranjo descreve identidades psicológicas estabilizadas.
Relação entre os dois sistemas
Ambos utilizam o mesmo símbolo geométrico, mas com funções distintas e complementares:
-
Gurdjieff revela como os processos evoluem.
-
Ichazo–Naranjo revela onde a consciência ficou presa.
Pode-se dizer que:
o Eneagrama da personalidade mostra o ponto do processo onde o fluxo se interrompeu
e se transformou em padrão fixo do ego.
Quando integrados, esses dois olhares permitem não apenas reconhecer o tipo,
mas também compreender o caminho de autorrenovação da consciência.
Eneagrama de Gurdjieff
O Eneagrama de Gurdjieff segundo Bennett
As Três Forças (9–3–6) e o Processo Autorrenovável
No Eneagrama, nenhum processo se sustenta sem a atuação equilibrada das três forças fundamentais.
Elas não são etapas, mas funções permanentes de comando, que devem permanecer ativas durante todo o ciclo.
Quando uma delas falha ou se hipertrofia, o processo se desorganiza.
Essas forças podem ser exercidas:
-
por três pessoas distintas, conscientes de seus papéis,
-
ou por uma única pessoa, desde que consiga sustentar internamente as três funções.
As Três Forças em Comando
Força 9 — Direção Geral (Visão e Sentido)
O 9 é o princípio organizador do todo.
Funções:
-
cria e desenvolve o projeto,
-
define e redefine o rumo,
-
acompanha, administra e gerencia todo o processo,
-
tem a palavra final nas decisões estruturais.
O 9 mantém o sentido, a coerência e a unidade.
Sem ele, o processo perde direção.
Força 3 — Direção de Produção (Energia e Recursos)
O 3 garante a viabilidade material.
Funções:
-
contabilidade e gestão financeira,
-
financiamento do projeto,
-
pagamento de pessoal,
-
aquisição de recursos,
-
manutenção do espaço de produção.
O 3 sustenta o processo no plano da realidade concreta.
Sem ele, o projeto não se manifesta.
Força 6 — Direção de Vendas, Mídia e Pesquisa (Relação com o Mundo)
O 6 conecta o produto ao campo externo.
Funções:
-
cria e executa o projeto de marketing e mídia,
-
estrutura e realiza as vendas,
-
desenvolve pesquisas,
-
capta feedback do mercado.
O 6 garante adaptação, resposta e inteligência relacional.
Sem ele, o processo se fecha em si mesmo.
As Etapas do Processo (9 → 1 → 2 → 3 → 4 → 5 → 6 → 7 → 8)
Sob o comando permanente do 9–3–6, o processo se desenrola pelas etapas operacionais:
Etapa 1 — Detalhamento do Projeto
(proposto pelo 9)
Aqui o projeto é traduzido em forma concreta.
Define-se:
-
o espaço de produção,
-
a descrição detalhada do produto,
-
ferramentas, objetos e equipamentos,
-
levantamento completo do pessoal envolvido,
-
funções, hierarquias, cronograma e programação.
É o ponto onde a intenção se torna estrutura.
Etapa 2 — Produção das Partes
Produção material de cada componente do produto,
de modo que cada parte fique pronta para a montagem.
Aqui o processo ganha corpo parcial, mas ainda não unidade.
Etapa 3 — Sustentação Material
(função contínua do 3)
Embora não descrita como etapa isolada,
o 3 atua transversalmente, garantindo recursos, pagamentos e manutenção durante toda a produção.
Etapa 4 — Montagem do Produto
As partes são integradas.
O produto começa a existir como forma reconhecível.
É um ponto sensível, onde ajustes qualitativos são essenciais.
Etapa 5 — Montagem Final e Acabamento
Finalização completa do produto:
-
acabamento,
-
refinamento,
-
preparação para a venda.
Aqui se define a qualidade final do que será entregue ao mundo.
Etapa 6 — Relação com o Mercado
(função contínua do 6)
Vendas, mídia e pesquisa atuam em paralelo,
preparando o campo para a circulação do produto.
Etapa 7 — Venda
-
loja,
-
produto disponível,
-
ato da venda.
loja,
produto disponível,
ato da venda.
Aqui o processo encontra o outro.
O ciclo começa a devolver resultados.
Etapa 8 — Acompanhamento do Consumo
-
acompanhamento do uso do produto,
-
coleta de feedback,
-
análise dos resultados das pesquisas.
acompanhamento do uso do produto,
coleta de feedback,
análise dos resultados das pesquisas.
É o ponto onde o processo aprende com suas consequências.
O Movimento de Checagem e Aprimoramento
A Sequência Viva: 1 → 4 → 2 → 8 → 5 → 7
Enquanto o processo avança pelas etapas,
ele é constantemente checado e aprimorado segundo a sequência fundamental de Gurdjieff:
-
1 — clareza da intenção e da estrutura
-
4 — ajuste qualitativo e sensível
-
2 — nutrição, suporte e vínculos
-
8 — força, impacto e sustentação
-
5 — clareza, economia e análise
-
7 — direção, escolha e sentido
Esse movimento acontece sob o comando permanente do 9–3–6, garantindo que o ciclo não se perca nem se estanque.
Síntese Integrada
-
Gurdjieff revela o movimento interno dos processos.
-
Bennett mostra como esse movimento se aplica à vida real, aos projetos e à organização humana.
Gurdjieff revela o movimento interno dos processos.
Bennett mostra como esse movimento se aplica à vida real, aos projetos e à organização humana.
O Eneagrama, assim, torna-se:
-
um mapa da consciência,
-
um modelo de gestão viva,
-
e uma arquitetura do agir consciente.
Quando as três forças estão ativas
e a checagem segue seu ritmo correto,
o processo não apenas funciona —
ele se renova, aprende e evolui.
O funcionamento do Eneagrama
O movimento de checagem e aprimoramento
No Eneagrama, além dos movimentos de fixação da personalidade e dos ciclos autorrenováveis, existe um movimento interno de checagem, correção e aprimoramento.
Esse movimento não é aleatório: ele segue uma ordem específica, que permite verificar se o processo, a ação ou a consciência permanecem alinhados com sua intenção original.
O percurso da checagem ocorre na seguinte sequência:
1 → 4 → 2 → 8 → 5 → 7 → 1
O sentido do movimento de checagem
Esse movimento funciona como um retorno consciente ao eixo, um percurso de verificação que impede tanto o automatismo quanto o desvio inconsciente.
Cada ponto cumpre uma função específica no processo de aprimoramento:
-
1 – Princípio e intenção
Checa-se a qualidade da intenção inicial.
O processo começa e termina aqui:
o que me move é verdadeiro, ético e necessário? -
4 – Sensibilidade e impacto
Avalia-se o efeito emocional e relacional.
O que foi iniciado respeita a sensibilidade envolvida? -
2 – Vínculo e serviço
Verifica-se se a ação permanece conectada ao cuidado e ao apoio mútuo.
Isso serve à vida ou apenas ao ego? -
8 – Força e sustentação
Confere-se se há energia suficiente para sustentar o que foi iniciado.
Existe firmeza, presença e responsabilidade? -
5 – Clareza e economia
Checa-se a compreensão e o uso adequado dos recursos.
Estou agindo com lucidez ou dispersão? -
7 – Sentido e direção
Observa-se se o processo mantém propósito e visão.
Há entusiasmo consciente ou fuga do essencial? -
1 – Retorno ao eixo
O ciclo fecha-se com uma nova checagem da intenção, agora amadurecida.
O processo refinou a consciência?
A função desse movimento
O movimento 1–4–2–8–5–7–1 não visa acelerar resultados,
mas qualificar o processo.
Ele permite:
-
correções finas ao longo do caminho,
-
ajuste entre intenção, emoção, ação e sentido,
-
autorregulação sem rigidez,
-
crescimento contínuo sem ruptura.
No Eneagrama, aprimorar não é forçar —
é escutar o processo enquanto ele acontece.
Síntese
Esse circuito de checagem revela um princípio essencial do Eneagrama:
todo processo vivo precisa ser revisto, sentido, sustentado, compreendido e realinhado
para retornar à sua origem em um nível mais consciente.
Assim, o Eneagrama deixa de ser apenas um símbolo
e torna-se uma ferramenta viva de discernimento e evolução.
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